Sai de casa, para comprar pão e beber um café de máquina, caminhando pela rua pacata, num dia de feriado...
Chaves no bolso do casaco, capuz na cabeça, porque chuvisca, dinheiro no bolso... cadê os móveis? Ficaram em casa...
Caminhando pela rua, meus planos estavam no pão e no café...
cheguei à rua principal, welcome the reality, ainda bem que sai do conforto do meu lar, com a desculpa de comprar pão e beber café...
A realidade na rua é outra, faz-me chegar a casa motiva-me para trabalhar...
O que vejo na rua: culturas diferentes, misturadas, muitas pessoas, tons de pele diferentes e idênticos, mais facilmente se distingue um tom de pele mais claro na rua no meio da multidão do que outro... o que vejo: um casal abraçado caminhando pela rua, uma menina linda loirinha de chapéu, olhos claros... vou ao centro comercial, grande labirinto... quase que como a medina de Fés, agora por Fés esta tarde especialmente caminhando pelas ruas lembrei-me de Marrocos, característicamente por aqui também se encontram pessoas a andar calmamente pelas ruas, enconstados às paredes, a ver quem passa, são homens maioritariamente, novos, meia idade e cotas... alguns vê-se que não fazem népia, outros aproveitam o feriado que amanhã é dia de trabalho... vou ao Mac, pois decidi comprar duas tartes, pelo preço de uma, para o vício... algo doce, frito, gordura.... q grande seca q apanhei por causa de duas tartes (o meu lado legalista veio ao de cima, ai q vontade de fazer uma reclamação, contive-me) enquanto esperava por elas bebi um café numa chavena bem quente como não gosto e com muita águinha... bem, no meio da multidão oiço: Professora... :) sorri, quem será? Um aluno, simpático...
Ao sair encontrei outro aluno, assustei-o, há como eu gosto de implicar... e lá ia eu contente, com pão, um café ingerido e duas tartes de maçã, bem quentes... saio de casa á procura de pão... o meu corpo a pedir hidratos de carbono...
Venho pela rua, a música Natalícia, as pessoas a passear, a rua movimentada, lá no alto por detrás de um prédio espreitam os raios de sol e intensamente iluminam a rua, atravessando a copa das árvores e o fumo que sai do assador de castanhas, bonito de ser ver, sentir a mistura de cheiros...
Piquei o ponto, comprei castanhas e lá vou eu contente para casa "derroda" das castanhas assadas...
O que encontro na rua? Famílias aparente normais, mas há como estamos enganados quanto ao que é normal, como os nossos pensamentos são erradamente formatados ao longo da infância e adolescência, quando começará o mundo a pensar de forma diferente...
Passo pelo balde do lixo? O que encontro? ALguém a rebuscar no lixo? Terá ido deitar algo fora e deixou cair para o lixo a chave de casa? Talvez é uma hipótese, mas sinceramente o meu pensamento formatado, não me diz isso, o óbvio é que está à procura de comida, sim por aqui também há fome nas ruas!
O que eu faço para mudar isso?
Egoista não fiz nada, a situação incomodou-me por isso falo nela, mas nada fiz, continuei a caminhar com o meu pão no saco e mais umas coisinhas em que gastei dinheiro...
De regresso a casa vim pensante, e se cada vez que eu sair à rua para comprar o meu pão, e se eu der do meu pão a alguém? Ajudaria? Pelo menos n ficava c peso na consciência, alimentaria o quê?
O meu ego, a desgraça daquela pessoa levando a mais um dia acomodar-se nessa situação, pois teria pão para mais um dia... ou ... "Hoje já tenho pão!" "Hoje já não durmo com fome!"
Pensamentos em construção, errados, incorrectos, incompletos, egoístas? Provavelmente sim...
Pois eu estou no conforto do meu lar com pão para comer e muitos de muitos estão nas ruas, neste frio, nesta chuva, sem pão, sem cama, sem duche de água quente, sem alegria, sem família, sem esperança, sem ânimo.
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